Dusty DeVinney prepares to load election materials at the Willowbank building Monday, April 25,2016, in Bellefonte, Pa., in preparation for Tuesday's primary election. For the first time in many years, Democrats and Republicans in Pennsylvania on Tuesday pick presidential candidates in a meaningful primary. A U.S. Senate primary will determine who represents the Democrats this fall in the race to unseat Sen. Pat Toomey, and voters from both parties choose their candidates for attorney general. (Nabil K. Mark/Centre Daily Times via AP) MANDATORY CREDIT; MAGS OUT

Quando os norte-americanos forem às urnas em novembro para eleger seu próximo presidente, é quase certo que eles escolherão apenas entre dois candidatos: um republicano e um democrata.

Na verdade, desde 1852, os partidos Republicano e o Democrata têm se revezado no primeiro e no segundo lugar em todas as eleições presidenciais dos EUA, exceto em uma. Nesta eleição, em 1912, Theodore Roosevelt, um popular ex-presidente republicano saiu como candidato de um "terceiro partido" e ficou em segundo lugar, derrotado por Woodrow Wilson.

Antes do Partido Republicano e do Partido Democrata, o Partido Democrata e o Partido Whig eram os dois principais partidos. Antes destes dois, o Partido Democrata e o Partido Nacional Republicano eram os dois dominantes. E antes disso? Dominavam os democrata-republicanos e os federalistas.

Em todo este tempo, os terceiros partidos têm tido atuações pequenas na política presidencial dos EUA, aparecem ocasionalmente, mas quase nunca com chances reais de chegar à presidência. Eles também raramente competem por cadeiras no Congresso. Desde a Segunda Guerra Mundial, não mais do que dois de seus 535 membros pertenciam a outros partidos que não os republicanos ou democratas. Entre estas exceções figura Bernie Sanders, o senador de Vermont que se elegeu para o Congresso como candidato independente e que está concorrendo à indicação presidencial democrata deste ano.

Por que isto aconteceu? O sistema político dos EUA é organizado em dois partidos principais, porque concede a presidência e cadeiras no Congresso, em um método em que "o vencedor leva tudo". Os candidatos que concorrem a uma vaga no Congresso precisam apenas ganhar a maioria dos votos para serem eleitos. Em 48 dos 50 estados, os candidatos à presidência obtêm todos os votos do estado. Ou seja, os presidentes são eleitos, estado por estado, contanto que ganhem a maioria dos votos naquele estado.

O sociólogo Francês Maurice Duverger teorizou nos anos 50 que esse tipo de organização dá origem a um sistema bipartidário. A "Lei de Duverger" afirma que terceiros partidos não conseguem disputar, pois quem ganha, por exemplo, 15% ou 25% dos votos, não é recompensado. Isto faz com que os eleitores escolham candidatos que tenham mais chances de ganhar, levando os partidos a tentar atrair metade do eleitorado ou, preferencialmente, mais.

Partidos com risco de fragmentação farão o que puder para evitar candidatos de terceiros partidos. Quando os eleitores apoiam os ideais políticos de um determinado partido, mas existem dois candidatos que defendem esses mesmos princípios, este partido irá perder a eleição, pois os candidatos dividirão os votos, permitindo que o adversário ganhe com a maioria.

Às vezes, surgem governadores ou senadores de um terceiro partido, mas estes partidos, frequentemente, tem uma influência geral limitada e têm dificuldades em se tornar um movimento nacional. Parte deste problema surge da dificuldade que o partido tem de vencer. Outra componente do problema é que os dois partidos principais podem fazer com que seja um desafio para candidatos de terceiros partidos se qualificarem para concorrer em uma eleição. (Os Estados Unidos, por exemplo, permitem que cada estado determine a forma como um candidato presidencial concorre. Isto significa que candidatos de terceiros partidos são geralmente pessoas ricas, que podem financiar suas próprias campanhas e satisfazer os caros requisitos para concorrer em todos os 50 estados.)

Embora muitos terceiros partidos e candidatos independentes tenham concorrido nas eleições passadas, poucos receberam reconhecimento popular suficiente e menos ainda receberam votos eleitorais dos estados. Ross Perot, que disputou como candidato independente, recebeu 19% de todos os votos em 1992, mas não ganhou nenhum voto eleitoral.

Quando candidatos como ele ganham votos eleitorais, frequentemente há tensões raciais envolvidas. George Wallace (que ganhou 46 votos eleitorais em 1968) e Strom Thurmond (que ganhou 39 votos eleitorais em 1948) eram sulistas que concorreram como opositores ferrenhos da integração de americanos brancos e negros e foram os dois últimos candidatos não republicanos ou democratas a ganharem votos eleitorais. Candidatos regionais de terceiros partidos e com perfis semelhantes eram populares na época da Guerra Civil Americana, mas, na verdade, nunca chegaram nem perto de ganhar.

Além disso, o único candidato que não concorreu por nenhum dos dois maiores partidos a ter uma chance legítima de ganhar uma eleição geral foi Roosevelt, um candidato incomparável.

Mesmo assim, porém, o ex-presidente acabou não se saindo bem, dividindo a votação com seu antigo partido, o Republicano. Ele e seu sucessor republicano na presidência, William Howard Taft obtiveram juntos a maioria dos votos populares em 1912, mas o candidato democrata Woodrow Wilson ganhou a presidência com o maior número de votos, menos de 42%.

Este fato reforça o motivo pelo qual os dois maiores partidos políticos dos Estados Unidos preferem manter o sistema bipartidário.